MOTIVAÇÕES

Obrigado, camarada

Desta vez, diferentemente do processo de imigração para os Estados Unidos, sei especificamente onde iniciou todo este empenho para mudar meus planos e ir para a Australia.

Trabalho como enfermeiro em unidade de terapia intensiva – UTI adulto num grande hospital daqui de São Paulo. Certa feita, tratando de um paciente que estava sob os meus cuidados, o mesmo referiu saudades de uma filha que estava muito longe, numa terra distante e que ele não via há dois anos. Como todo enfermeiro (?), no intuito de diagnosticar uma resposta humana à doença para trata-la, dei seguimento a conversação. O paciente estava melancólico, recusando cuidados e pouco participativo no tratamento, mas ao mesmo tempo dizia estar contente pelo fato da cirurgia ter sido um sucesso e que mais uma vez iria voltar ao país onde a filha morava e poder ficar algum tempo num lugar cheio de paz, beleza e segurança. A primeira pergunta que me veio a cabeça foi a mesma que deve estar passando pela sua agora: ‘que lugar é este?’. E você deve saber a resposta!

Verdadeiramente? Nunca havia me interessado pela Australia. A idéia que eu tinha era a única passada pelas Olimpíadas – cangurus, aborígines, o verde e amarelo do futebol e praias. Nada mais! No entanto, quando o paciente me falou do país-continente, fiquei com um certo comichão. Eu já sabia que os EUA encontravam-se em Visa Retrogression Process e minha única saída, para realizar meus objetivos, era avaliar outras opções. Ao chegar em casa, no mesmo dia, lancei no Google as palavras: enfermagem, imigração e Australia. TCHARAM! E para meu espanto descobrir que havia um mundo de oportunidades aguardando-me lá fora – e diga-se de passagem, um processo bem menos burocrático que para os EUA.

Percebi que a Australia unia tudo aquilo que me interessava: um país com uma alta demanda para enfermeiros, sendo uma profissão reconhecida, respeitada e bem remunerada; um processo de imigração legal, rápido e possível; e um lugar cheio de maravilhas naturais com benefícios únicos para a população. Pronto. Negócio fechado! A partir daí foi apenas conhecer os tramites para poder iniciar o processo.

Entretanto, o que reforçou meu interesse pelo país – e hoje creio que tudo na vida acontece por um motivo que vai além do nosso entendimento, foi um contato mais próximo que tive com outro paciente e a sua família. Este senhor encontrava-se em estado terminal devido a uma patologia ímpar e sua família, incluindo um filho que tinha vindo da Australia, era algo espetacular. Assim como o pai, eles se portavam diante da vida cheio de coragem, com uma postura unida e integra e acima de tudo, com alegria apesar da situação. Posso dizer que acima do meu interesse em migrar, me relacionar com eles durante quase uma semana e meia de tratamento foi um grande presente. Aprendi a dar mais valor as pequenas coisas da vida e a ser mais honesto com a realidade – infelizmente não posso comentar mais sobre o caso devido a particularidades éticas. As conversas que tive com eles, durante os tratamentos de Enfermagem, me certificaram que a Australia é um lugar incomum – do qual meu paciente guardava lembranças extasiantes,  e de onde o filho trazia novidades encorajadoras – e que nada é impossível quando se busca com veemência o que se quer.

O paciente, por quem em pouco tempo desenvolvi um carinho especial, faleceu há 4 dias atrás – com dignidade, sem sofrimento, acompanhado pela sua família contrariando o que acontece em uma UTI , onde os doentes morrem sozinhos, expostos e apesar das medidas sedativas e analgésicas, com sofrimento. Possivelmente, ele que havia vivido aqui na Terra com todo o gás, deve estar vivendo, do lado de lá, com a mesma intensidade e alegria.

Para mim, que vivenciei cada momento da sua partida, hoje me sinto agradecido porque:

Primeiro: Descobri que a Australia vai além de cangurus, deserto e crocodilos.

Segundo: Tive oportunidade de conhecer e conviver com pessoas fantasticas (ele e sua família) que me motivaram em muito em diversos aspectos.

Terceiro: Pude sentir-me um profissional melhor, mais capacitado, mais humano.

E fica aqui meu abraço. Obrigado “camarada”!

Então, registro aqui o por quê da Australia e como desenrolou este meu interesse por um país que não fosse os EUA. Provavelmente você tem os seus motivos. Independente do que for, acredite neles! Acredite em você. A vida é curta demais pra se acomodar e deixa-la passar. Um dia vamos nos perguntar o que fizemos de cada segundo, minuto, hora… da nossa vida. E mesmo se nada se concretizar, você poderá ao menos dizer: EU ACREDITEI!

Muita Luz!

29 de maio de 2010 às 12:05

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 744 other followers